Tédio e tempo livre têm potencial criativo para as crianças, diz autora Seguir o Blog!
O currículo da pré-escola e a rotina extensa de atividades está tirando o tempo livre, diminuindo a capacidade criativa e atrasando o desenvolvimento integral das crianças. A conclusão é da professora Erika Christakis que lançou recentemente seu novo livro The Importance of Being Little [A importância de ser pequeno, tradução livre]. Ela defende a tese de que os professores, pais e responsáveis estão tirando o tempo ocioso das crianças e não conseguem mais vê-las entediadas. Nesses casos, oferecem imediatamente uma nova atividade, sem dar espaço para que elas pensem, de forma autônoma, em como preencher o tempo. “Nós não temos fé nas nossas pequenas crianças. E não temos fé em nós mesmos. Eu acho que o tédio pode ser um grande amigo da imaginação. Às vezes, quando as crianças parecem entediadas, é porque elas ainda não tiveram tempo de se engajar em alguma coisa”, afirmou a autora em entrevista ao jornalista Cory Turner, ao site NPR, traduzida pelo Centro de Referências em Educação Integral. A professora Erika Christakis defende que o brincar e o aprender são complementares no processo de aprendizagem De acordo com ela, essa lógica de preencher o tempo das crianças com atividades que não estimulam o brincar também está sendo reproduzida em grande parte dos currículos das pré-escolas. Os pequenos se veem, assim, obrigados a fazer lições de casa e outras tarefas repetitivas, ao invés de estimular o aprendizado por meio do brincar. “Para dar um exemplo, crianças brincando de construir um forte vão ativar mais o aprendizado cognitivo do que aquelas que ficam sentadas em frente a uma lousa fazendo lições de casas repetitivas, como quando os professores colocam uma pilha de moedas de um centavo de um lado, de outro alguns números e as crianças precisam conectar isso por meio de um lápis”, afirmou a professora. Veja abaixo a entrevista. [ ... ]
Tags: arte-educação, atividades lúdicas, autoconhecimento, brincar, cognição, criatividade, desenvolvimento, ócio, relações socioemocionais, socialização, socioafetiva




Comentários:



Helio Rodrigues
Arte-Educador
Especialmente na pré escola, a arte e o livre brincar se fundem. É nesse espaço artístico-lúdico que ocorrem autoconhecimentos tão importantes. Levados para o social os autoconhecimentos são experimentados para voltarem ao individual e serem de novo modificados ou não. Assim segue essa dinâmica ora individual, ora social, como uma das grandes colaboradoras para o desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Sem essa habilidade, é árdua ou quase impossível a composição de sujeitos. É o sujeito que fertiliza o campo onde as informações podem se transformar em conhecimento. Sem o constante exercício dessa composição não há desenvolvimento do pensar e de um querer legítimo. Os pais e a escola precisam mesmo rever os espaços que são oferecidos para as livres descobertas que surgem com o lúdico e a arte. É sempre bom lembrar que depois de cumprida a alfabetização, em geral comemorada como um sucesso cognitivo, a arte e o livre brincar perdem ainda mais espaço na vida das crianças. Assim sendo, até mesmo as novas metas cognitivas que surgem, começam a não ser alcançadas, como esperam pais e professores. Sob o meu ponto de vista, grande parte dos fracassos escolares ocorre justamente porque o "sujeito" vem se fragilizando devido ao seu distanciamento, cada vez maior, das experiências socioemocionais. Como são afetados os nossos jovens? O que os afeta? Importante pensar que na vida o que afeta também instiga. Eles têm sido instigados, mas pelo o que? Onde está a arte com seu poder de fazer sentir e pensar? Crianças, adolescentes e adultos sem dúvida se fortalecem com o auxílio das habilidades socioemocionais e a arte quando está presente, habilita.




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