Sobre Romero Britto, crianças e arte na Educação Infantil: vamos pensar sobre isso? Seguir o Blog!
28/04/2016. ANGELA MEYER BORBA E MARIA INÊS DE C. DELORME
Não vamos discutir aqui a qualidade do trabalho de Romero Britto e o seu lugar no campo e no mercado da arte. Sabemos que, ao lado da estrondosa popularidade do artista (suas obras são estampadas em todo tipo de produto, suas reproduções são vendidas pelo mundo todo aos lotes, seus originais já foram adquiridos por altos valores, entre outros indicadores de “sucesso”), há uma forte rejeição e crítica no campo da arte e da cultura ao seu trabalho. Nesse sentido, há uma recusa a reconhecê-lo como artista, diante da compreensão de que a sua coleção de quadros, esculturas e outros produtos multicoloridos está muito mais para fast-food do que para a arte. Certamente vocês já ouviram falar de inúmeras comunidades do tipo #euodeioromerobritto! Mas é certo que no mundo escolar, grande parte das instituições de educação infantil parece pertencer a outra comunidade: #euamoromerobritto ! Por que esse casamento entre Romero Britto e Educação Infantil, quando se pensa em um trabalho de arte com crianças? É porque as obras de Romero Britto são alegres e multicoloridas? É porque abordam temas ou figuras que se aproximam do universo infantil? Que tipo de propostas são feitas às crianças nas escolas, com base no trabalho do artista? Reproduções para colorir? Releituras, do tipo “fazer como Romero Britto”? Confecção de objetos modelados pelos professores a partir de figuras de suas obras, como, por exemplo, borboletas? Certa vez, fazíamos um trabalho de formação com professoras de uma creche comunitária do Rio de Janeiro e a coordenadora pedagógica nos mostrou orgulhosa o produto de um projeto de arte com as crianças: um grande cartaz com a reprodução ampliada da obra “O palhaço”, pintada pelas crianças. Obviamente, pelo que pudemos observar, na verdade, pintada pelas mãos das crianças conduzidas pelas mãos dos adultos. A coordenadora nos relatou o tempo que levaram para produzir o cartaz e o quanto as crianças “aprenderam” sobre Romero Britto e arte. Trabalhavam com duas crianças de cada vez (certamente para controlarem melhor seus movimentos), sendo que todas participaram, com suas pinceladas, da confecção da “obra”. E não faltaram, em nossas andanças por instituições de educação infantil no país, referências de Romero Britto, em reproduções decorando as paredes de escolas, estampando produtos variados e, principalmente, em murais com “trabalhinhos” das crianças. Mas o que esses exemplos têm a ver com um trabalho com arte na Educação Infantil? Como podemos pensar as relações entre criança, arte e educação? Vamos pontuar algumas coisas que pensamos sobre esse tema: [ ... ]
Tags: arte, arte-educação, criatividade, estereótipo, liberdade








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