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02/06/2011. HELIO RODRIGUES
Uma salinha desativada, uma garagem mofada, um cantinho qualquer da escola, pode abrigar a aula de artes. Mas que lugar de indigência é esse que costuma ocupar a arte dentro do processo educacional? Já fui por muito tempo solidário com muitos colegas arte-educadores, me resignando a isso como possibilidade para a arte. Hoje penso que somos nós os responsáveis pelos espaços mambembes em que atuamos. Espaços físicos e de importância eleitos pelas instituições e humildemente aceitos por nós. Há tempos não ocupo esse lugar de vítima, prefiro pensar e refletir sobre o verdadeiro lugar da arte e suas possibilidades estendidas para a educação. O que eu quero provocar nos meus alunos? Acredito que essa pode ser uma pergunta básica, se realmente quero dialogar com meus alunos. Mas há também uma outra, que pode ir além dos alunos e ser ampliadora da arte-educação dentro e até fora das instituições: O que eu quero provocar ou posso compartilhar com meus colegas educadores? A arte é em si mesma provocação e não a mesmice das concordâncias com o estabelecido. A arte não é apoio visual para as aulas de geografia ou fonte de presentinhos para o dia das mães. Desculpem-me, mas isso, quando nomeado como aula de artes, cabe mesmo num cantinho qualquer. Há uma fome de técnicas que costuma perseguir os professores de arte, como se elas fossem a principal nutrição e motivação para suas atuações profissionais. Por isso, ao invés da pergunta: O que eu dou pros meus alunos na próxima aula? Sugiro rever essa dúvida e se perguntar: O que eu preciso provocar nos meus alunos? Muitos professores depositam em técnicas de arte o norte para suas aulas, no entanto, pintura, desenho, colagem, gesto, modelagem... são apenas veículos motivacionais. Podem até parecer adequados, mas não terão consistência e certamente não irão muito além de recursos puramente visuais ou recreações com material de artes, se não forem acompanhadas de intenções e estruturadas por um conceito. Sugiro aos meus colegas, que se dediquem a constantes reflexões e revisões sobre o que acreditam ser realmente uma aula de artes. Considerem a possibilidade de uma faxina em suas atuações, enquanto isso aproveite e faxinem também a garagem mofada.
Tags: arte-educação






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