Como lidar com a discriminação? Seguir o Blog!
02/08/2009. HELIO RODRIGUES
[atualizado em 15/02/2017]
Ilustração de Thomaz Simões e sua filha Eduarda (11 anos)
Em geral, indivíduos discriminadores têm dificuldade para lidar com suas próprias “estranhezas”, suas incompetências, fragilidades, limitações, diferenças e por isso repudiam os “espelhos” (constituídos pelos “estranhos” à sua volta) já que esses fazem aflorar seus medos e trazem incômodo. No meio adulto encontramos uma imensa variedade de indivíduos discriminadores, especialmente em grupos em que se acirra a cultura da intolerância. Não é preciso pensar muito para se obter algum exemplo. Na verdade, quando a intolerância se desenvolve num meio social (grupo, família, comunidade, povo, país, planeta), ela tem origem no próprio indivíduo que não tolera, já que, o que ele rejeita não é potencialmente as diferenças do outro, mas as suas próprias diferenças. Ou seja, o que ele julga diferente e inaceitável nele próprio, como por exemplo, as suas “dificuldades”, “escolhas”, “aspecto”, “desvios”, “vícios”, “desejos”, ele não suporta rever no outro. No meio educacional, é esperado algum tipo de comportamento discriminador principalmente entre os adolescentes, mas especialmente preocupante, quando acontece com crianças antes dessa fase ou quando ela se faz presente mais adiante nos adultos, com o agravante que esses, irão disseminar essa conduta. A característica discriminadora adolescente pode ser maior ou menor, dependendo do grau de exigência a que esse jovem se impõe. Em geral, adolescentes querem construir uma personalidade a partir do rompimento com os pais. O desejo de se constituir “maduro” e “independente”, o torna intolerante às opiniões e condutas de seus mais antigos espelhos que são os seus pais. Alguns adolescentes são discriminadores potenciais de outros jovens, bastando que esses apresentem sinais daquilo que ele luta para romper, como por exemplo, a própria imaturidade. As conhecidas “panelinhas” adolescentes protegem grupos, num movimento de aceitação conjunta. Uma espécie de simbiose em grupo. Nelas os jovens dividem tudo aquilo que não dão conta individualmente, já que os indivíduos que se desenvolvem em cada uma delas, é ainda estranho e distante deles próprios. Quando isso ocorre em crianças mais jovens, vale prestar atenção ao modelo familiar que pode fazer a criança repetir as “regras de intolerância” da casa. Outra possibilidade pode ser observada pelo nível de exigência familiar ou social que leva essa criança a um enorme rigor consigo mesma e por isso, tende a ampliar nos outros. Defender-se da sociedade é sempre embrutecedor. Quase sempre afasta a conduta infantil, espontânea, descomprometida, mesmo de quem ainda é criança. A característica democrática que tem a arte promove a revisão do pensamento intolerante e permite que se façam aproximações entre diferenças e diferentes pelo simples fato de serem as diferenças na arte, as grandes facilitadoras e até mesmo responsáveis pelos admiráveis resultados que se pode obter com ela. No processo artístico se as diferenças de consistência das tintas, das cores, das linhas e dos materiais em geral não forem absorvidas e aplicadas como recurso do fazer, tão pouco se faz arte. São mesmo abstratos, estranhos e diferentes os critérios adotados para o que se pode chamar de arte, assim como os indivíduos que podem ser considerados diferentes. Na arte, tudo se mistura e desse “caldo” surge a livre expressão e o amadurecimento. Dentro desse universo, técnicas e propostas que reúnam materiais igualmente diferentes, contrários, opostos e se possível aqueles que fazem misturas aparentemente absurdas, atuam simbolicamente representando as inúmeras inter-relações que podem ser feitas entre elementos aparentemente desarmônicos. É, portanto, a diversidade o elemento estruturador da atuação dos orientadores quando estão frente a esse sintoma. Abordagens sobre as diferenças entre extraordinário e ordinário, passando inicialmente por seus significados, são de grande ajuda.
Tags: arte-educação






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