Brincadeira como ferramenta de combate ao bullying Seguir o Blog!
Pesquisadora portuguesa Maria Beatriz Pereira defende a utilização de jogos e atividades lúdicas para desenvolver a noção de regras nas crianças e promover a socialização e a diminuição da violência e da intolerância
Pesquisadora portuguesa Maria Beatriz Pereira defende a utilização de jogos e atividades lúdicas para desenvolver a noção de regras nas crianças e promover a socialização e a diminuição da violência e da intolerância No ano passado, um estudo realizado pelo Ministério da Saúde com 109 mil estudantes do 9º ano do ensino fundamental, em escolas públicas e particulares de todo o Brasil, mostrou que 20% deles já praticaram bullying contra os colegas. Quanto às motivações para esse tipo de agressão, mais da metade (51%) disse não saber explicar as razões. Os que justificaram apontaram como motivos questões como aparência do corpo, do rosto, da cor da pele, da orientação sexual e região de origem. Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), também realizado em 2015, mostra que a violência é a quarta maior causa de morte de jovens entre 10 e 29 anos no mundo. Segundo o estudo, 200 mil jovens morrem todos os anos por causa não só de assassinatos, mas também de brigas e bullying. Para tentar reverter esse cenário, em novembro de 2015 foi sancionada a Lei n. 13.185, que estabelece o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying) em todo o Brasil. A lei caracteriza a prática como atos de violência física ou psicológica em ações de intimidação, humilhação ou discriminação. O projeto define oito tipos de bullying que devem ser evitados na escola: físico, psicológico, moral, verbal, sexual, social, material e virtual. Entre as iniciativas do programa está a capacitação dos docentes e das equipes pedagógicas para a implementação de ações de discussão, prevenção, orientação e solução dos problemas. A abordagem dessas ações busca evitar a punição dos agressores, utilizando como solução desse problema mecanismos alternativos que promovam a efetiva responsabilização e a mudança de comportamento hostil. Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira, professora catedrática da Universidade do Minho, em Portugal, concorda com essa linha de ação. Entre diversas atividades ligadas ao universo da infância e da adolescência, ela faz parte do Centro de Investigação em Estudos da Criança (FCT) e tem desenvolvido projetos de pesquisa sobre bullying no ambiente escolar. No artigo O lúdico como uma possibilidade de intervenção ao bullying e formação da criança na escola, Maria Beatriz recomenda a construção de um tempo e um espaço dentro da escola, em que o brincar seja reconhecido como uma importante estratégia de desenvolvimento, aprendizagem e melhoria das relações no contexto infantil, sendo uma ferramenta útil para a diminuição das práticas agressivas na escola. Para ela, a solução não é punir ou apontar culpados, mas sim entender e orientar tanto a vítima quanto o agressor. A especialista defende que o caminho para acabar com a violência na escola começa com a preparação dos educadores e funcionários e passa pela utilização de jogos lúdicos e esportivos como ferramenta para desenvolver as noções de regras nas crianças, ao mesmo tempo em que promove a socialização e a interação – contribuindo para a diminuição da violência e da intolerância entre elas. Em outubro do ano passado, a pesquisadora portuguesa esteve no Brasil para participar do IX Congresso Nacional de Educação (Educere), que aconteceu em Curitiba (PR). Na ocasião, ela concedeu uma entrevista exclusiva à Gestão Educacional, em que apresentou sua visão sobre a prevenção ao bullying e explicou de que maneira os gestores escolares e os professores podem atuar para combater esse tipo de violência entre os alunos. Confira a entrevista a seguir. [ ... ]
Tags: atividades lúdicas, brincar, bullying, educação, jogos, socialização








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